Ela, Ele e os nomes

29 08 2010

– Não é melhor usar aqueles livros de nomes pra bebês?
– Não vou escolher o nome do filho que carrego no meu ventre apontando um nome qualquer num livro. Imagina, “mamãe, de onde é meu nome?” “daquele livro na estante, ó.”
– Tem que ser algo significativo, então.
– Isso. Independente do que signifique a coisa, a associação tem que ser sentimental pra gente.
– Tá. Começamos com meninas.
– Olga. É curto, tradicional, forte…
– Ela também vai estar grávida e querendo ter o filho no Brasil?
– Olga fora. Tem… Cristina. Lembra, nossa professora de física no colegial? Só passava de ano porque ela dava uma forcinha.
– NÃO DIGA ALÔ, DIGA ALÔ, CRISTINA!
– Cristina fora. E Mariana? É comum, mas bonito, eu nunca conheci uma Mariana chata.
– Nem eu, mas Mariana não pode. Aliás, nada terminado com “ana”.
– Ué, por que não?
– Banana.
– Oi?
– Mariana, cara de banana. Ou Juliana, vira Julianta. Sempre tem uma criança estúpida pra cantar “Mariana cara de banana” no infantil. Não quero uma filha sofrendo bullying por causa do nome.
– Mas cortar toda uma sorte de sufixos restringe muito as escolhas.
– Nada com Maria na frente também. Tem sempre alguma musiquinha pornográfica com Maria.
– Tem???
– Tem. Nada terminado em “ana”, nem começado com Maria.
– E Ana na frente?
– Não sei, Ana me lembra muito “anal”, não acho conveniente.
– Se a gente for cortar todos os nomes que podem virar motivo de piada, a criança vai chamar “ow” ou “vem cá!”.
– Isabella é um nome bonito. Aquela amiga minha, lembra, com dois “L”? A que morreu de câncer, mas sei lá… seria uma homenagem bonita.
– É, eu lembro da Bells… se tem alguém que merece uma homenagem dessas, é ela, mas acho melhor não…
– Por quê?
– Crepúsculo.
– Achei que você gostava dos livros. E nem é por eles que seria o nome, é pela Bells.
– Sim, mas quando falarmos o nome dela, a primeira associação SEMPRE vai ser com a Bella Swan, e por mais que goste dos livros, não quero uma filha associada a uma personagem-bexiga.
– Personagem-bexiga?
– Solta não tem rumo, é vazia por dentro e enche tanto, mas TANTO, que quando solta e some a gente até fica triste, mas o alívio de não ter que tomar conta é maior.
– A do livro é conhecida por Bella, com A no final, a nossa era Bells… aliás, Hells Bells, que era fã de AC/DC. Podia ser Isabel.
– Isobel, com “O”, então.
– Não fica estranho?
– Fica diferente, mas no apelido homenageia direitinho a Bells, ainda é o nome da Izzie de Grey’s Anatomy que você adora, e música da Björk, que eu adoro. Acho válido. Homenageamos três mulheres incríveis.
– Fechamos em Isobel, então?
– Fechamos. Meninos agora. Você começa.
– Matheus, o diretor do colégio que foi a primeira pessoa a me dar uma chance de dar aulas. Grande pessoa.
– Matheus me lembra “Meteu”. E parece nome de retardado, com todo respeito ao Matheus, que é ótimo, mas que o nome parece de retardado, parece.
– Tá… e Eric? Um dos nossos padrinhos!
– O que depois a gente descobriu que era viciado em heroína, fugiu pra casa de um traficante e agora cumpre pena por formação de quadrilha?
– Nem queria mesmo filho com nome de Pequena Sereia. Tem o Victor, aquele cara meio louco que morava na rua, na nossa época do colegial, mas era um gênio. Lembra os desenhos que ele fazia com carvão nos muros? Saiu no jornal, até. E era um poço de educação. Dava flores que pegava ns jardins pras mães que iam buscar os filhos. Ele era legal.
– Nooosa, é mesmo, o Victor! Era uma figura… parecia coisa de filme. Eu votaria “sim”, mas não rola.
– Por que não?
– Porque o marido da minha irmã é peruano. Em espanhol não tem muita diferenciação na pronúncia de coisas com “v” e “b”.
– E daí?
– E daí que não quero um filho com apelido de caneta Bic. Victor, Bictor, Bic.
– Fernando.
– Não lembro de nenhum Fernando.
– Lembra sim.
– Não lembro.
– Lembra sim.
– Não lembro.
– Lembra sim. Sexta série, hora do recreio, no pátio. Uma turma jogava bola, chutaram longe, um dos jogadores correu atrás e acabou esbarrando e passando por cima de você. Quebrou seu queixo no chão sem querer, sangrou à beça e te levaram pra enfermaria. Lembra quem te levou pra enfermaria?
– VOCÊ! Foi quando a gente começou a se falar!
– Exatamente. Nossa primeira troca de frases. E o menino que te atropelou era Fernando.
– Fernando… Nando… Nandinho é tenso.
– Mas não é feio. Nando, Nandinho, Fer, até Ferdinando, são apelidos inofensivos.
– Ai… Infernando. Inferno. Parece mau agouro.
– Só se ele puxar sua parte de genes que vieram da sua mãe. Mas pensa… que criança não ia querer um apelido batuta desses?
– “Batuta”?
– Não enche.
– Fernando… taí, gostei. Fernando.
– Isobel e Fernando. Pronto. Vai começar o jornal. Pega o controle.
– Pego, mas…
– Mas…?
– O que tem de errado com os genes da minha mãe?
– Não vou falar, a Veja tá aí do lado. Bota no jornal, anda.

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7 responses

29 08 2010
sayhitoRUDS

foi o que eu mais gostei. *OOOO*

29 08 2010
mariana a banana

percebi pela primeira vez que sofria bullying quando era criança e não sabia.

Vou pedir indenização para os meus primos!

beijoss gatinha

29 08 2010
nando

HASUAHSUAHSUAHSA *OOO*

29 08 2010
Dinah

batuta!!!
sempre sou referncia hahahaha

muito bom!!!!

30 08 2010
cahnazatto

já quis chamar minha filha de isobel. mas imagina o apelido na escola? iso???? hahahahhahaha

30 08 2010
mahh

UHAUAHUHHAHA PORRA, NÃO TINHA PENSADO NISSO!

1 09 2010
ana ju

gente eu simplesmente amei, adorei tudo e mais um pouco *O*
mahh meu xuxu parábens e caso eu morra rindo desses texto mando a policia ir ai na sua casa te prender por assasinato ok? UHUSHUAUSHHASHUS ;*

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