Mortinhas I: correndo com tesouras

24 12 2010

Adorava trabalhos artesanais, principalmente os que a escola mandava fazer em casa. O problema é que a menina era praticamente a hiperatividade encarnada, e muito mal educada. Sua especialidade era fazer projetos até que bons, uando comparados aos outros dos alunos da mesma faixa etária, mas largava tudo espalhado pela casa. A mãe ficava louca, mas não adiantava: a filha de doze anos mandava mais que a própria mãe, que o máximo que conseguia era impor castigos que eram burlados em menos de quinze minutos e esquecidos depois de meia-hora. Cartolinas, pedaços de papel, até mesmo bolotas de argila na parede: a menina deixava a casa num estado de destruição que, mais dia, menos dia, a mãe acabaria caindo ou num riso histérico ou nmum choro compulsivo.

Dessa vez era um boneco, e a menina cismou que faria um de pano, como a Emília, do Sítio do Pica-pau Amarelo. A mãe queria que a garota ficasse quieta num canto, mas a menina insistia em correr pela casa, pegando os materiais aos poucos. “Não corre com tesoura na mão, filha!”, a mãe insistia, e “Tsc.”, ignorava a menina. A mãe simplesmente se jogou no sofá, exasperada, e entregou a Deus.

Deus tem um senso de humor muito bizarro. De tantas preces que aquela mãe já havia feito, das mais comuns às mais inusitadas, foi atender justo aquela. Não deu nem meia hora. Enquanto a menina corria na frente do sofá, tropeçou numa tira de tecido que ela própria havia cortado e largado lá, e caiu. De cara na tesoura. A primeira reação da mãe foi um grito de horror e o desespero. Dez minutos depois, foi atrás dos produtos de limpeza, pra dar um jeito naquilo. Pelo menos agora a filha sabia a razão de não poder correr com tesouras.

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Feliz Natal e

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