Problemas de gerações I

29 09 2010

antigamente, aos 13 anos…

– Pai?
– Diga.
– O braço da boneca quebrou, não consigo encaixar.
– Deixa que eu arrumo.

atualmente, aos 13 anos…

– Pai?
– Diga.
– Tô grávida.





Ela, Ele e a barata

22 09 2010

– MORRE, VADIA MALDITA!
– Caramba, mal chego em casa e já sou chamado de vadia, CADÊ A VERSÃO MASCULINA DA DONA PENHA?
– NÃO É VOCÊ! É ESSA VADIA EMBAIXO DO ARMÁRIO!
– Embaixo do armário não passa nem paninho pra tirar pó, quiçá uma vadia.
– Passa se for uma vadia de 2 por 5.
– Como foi que você enfiou uma vadia de 2 metros aí embaixo???
– CENTÍMETROS, CRIATURA! Sinceramente, se o bebê nascer com a sua sagacidade, ferrou.
– Não enche, meus genes são ótimos. Primeiro, que que você tá fazendo em cima da cadeira giratória? PARA DE ANDAR EM CIMA DISSO! SE VOCÊ CAIR VAI AMASSAR MEU FILHO!
– Ou filha.
– Ambos não é, que a gente já sabe que só tem uma coisa aí. Aliás, muito azar a criança estar DE COSTAS e com a mão TAPANDO LÁ.
– Ela tá se resguardando pro casamento. Tem barata.
– Barata se resguardando pro casamento? Taí uma versão interessante da Dona Baratinha.
– Largou a inteligência na sala de aula hoje?
– Larguei. Meus alunos sugaram meu cérebro hoje. Quase uma zombie class.
– Tem uma barata aqui na sala, mas quando fui pegar o inseticida pra matar a maldita afogada, quando voltei, ela tinha se enfiado embaixo do armário. E não tem mais inseticida e eu tô com medo.
– PARA DE ANDAR EM CIMA DA CADEIRA!
– EU É QUE NÃO PISO NO CHÃO! A BANDIDA VAI PULAR EM MIM!
– É só uma barata!
– Nem vem com essa de que ela tem mais medo de mim que eu dela. Tem muito mais chances dela pular em mim, do que eu pular ou voar em cima dela.
– Tá, tá, me dá seu chinelo então.
– De jeito nenhum.
– Quer que eu mate a barata como? Com a mão?
– Com meu chinelo bonitinho não.
– Onde é que eu vou arrumar um chinelo feio???
– Vai com seu sapato mesmo. TÁ LOUCO? VAI QUEBRAR O ARMÁRIO!
– Mas eu tenho que arrastar pra barata sair de debaixo dele!
– Bárbara pagou caro nesse armário e a gente pagou caro nesse chão. Tem que ter outro jeito.
– Vou pegar inseticida na vizinha?
– Vai. Anda.
– Tá, já volto.
– Enquanto isso eu aqui, grávida, agachada na cadeira. Devia filmar e botar no youtube. Se essa barata não sumir, durmo nessa cadeira ou no corredor. AAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!
– QUE FOI? QUE FOI? CAIU? QUE QUE HOUVE?
– A BARATA LÁ! OLHA! ALI!
– PORRA, QUE TAMANHO DE BARATA É ESSE!
– EU DISSE!
– CREDO! MORRE, LAZARENTA!
– Não acertou. Sua mira é péssima.
– Eu jogo o sapato pra você, e você acerta, então?
– Pode ser. Joga pra mim. PRA MIM, NÃO EM MIM!
– ELA TÁ ANDANDO! JOGA ESSA MERDA LOGO!
– AAAAAHH! ACERTEI?
– Mais ou menos. Ela tá tonta. Haha. Vou matar com o inseticida.
– NÃO, ESPERA!
– ESPERA O QUÊ, MULHER?
– Mata não…
– VAI FAZER O QUÊ? PEGAR PRA CRIAR?
– Não, é que… é muito grande. É quase uma pessoa.
– Como é que é?
– Não mata, tenho dó!
– QUE QUE EU FAÇO ENTÃO?
– Ai… não sei… AHHHH!
– Por que é que você pode acertar coisas nela e eu não? AÍ, ELA TÁ PARADA! ACHO QUE MORREU! SAI DAÍ!
– SAÍ, SAÍ, SAÍ! PRA PORTA, ANDA!
– BOM DIA, SEUS LIND… que que é isso? Nossa, que recepção calorosa.
– Ricardo! BARATA, RICARDO! NÃO PODE ENTRAR NO APARTAMENTO!
– Ó. A amiga é sua. Se vira. Eu vou devolver o inseticida.
– Que barata onde, ficou doida? Hormônios da gravidez afetaram seu juízo, SABIA que você não podia procriar, eu avisei que ele tinha genes PÉSSIMOS.
– Tá lá, Ricardo, enorme… tira de lá, mas sem matar? por favor? Pelo bem do seu afilhado?
– Ou afilhada. Então você quer que eu entre no seu apartamento, pegue uma barata e jogue pela janela?
– É. Isso.
– Tá. Lindo. Te contar viu, meu sindicato da gayzice vai procurar vocês depois. Ó, eu fui lá, tinha barata nenhuma. E não, você não vai dormir em casa.
– AI, ALI A VADIA!
– PORRA DE TAMANHO DESSE BICHO!
– EU DISSE EU DISSE EU… eita.
– Desculpa, amor, não segurei a vizinha a tempo.
– Ow… essa não é sua vizinha de 70 anos?
– Sou, e calem a boca. Era só uma barata.
– Nossa vizinha de 70 anos matou a barata.
– Eu sei. O nenê tá se mexendo de vergonha alheia aqui.
– Gente, que que é aquele pontinho na parede de vocês?
– PORRA, TEM OUTRA BARATA!
– CHAMA A VIZINHAAAAAAAAA!

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Nota da autora: não tentem se locomover em cima de cadeiras giratórias pra fugir de barata. Não funciona e vocês vão cair. E vai doer.




Problemas de coração

18 09 2010

Já estava cansada de todo mundo reclamando que ela não tinha coração. Nunca gostou de bichinhos fofinhos, filhotinhos e etc, e era tachada de sem coração. Na adolescência preferia dar um fora nos meninos a dar corda quando não queria, e reclamavam que ela não tinha coração. Na faculdade, preferiu dar mais atenção à futura carreira do que às festas e aos supostos amigos/colegas de sala, e lá vinha o sem coração. Quando arrumou um namorado, um amor de moço, mesmo assim não escapava de não ter coração só porque era mais prática do que romântica. O namorado, sim, era um primor de sensibilidade.

Acabaram se casando. A carreira dela ia cada vez melhor, mas a falta de coração a perseguia por não querer ter filhos. Nunca teve um instinto maternal muito forte, preferia se concentrar em outras coisas e tinha sobrinhos e afilhados. Só a empregada a entendia, e morria de dó da patroa, independente demais, coitada. O primor de sensibilidade no final das contas era acomodado demais, sem iniciativa demais, desanimado demais, mas ela ainda tentava fazer o casamento dar certo, ainda que perdesse a paciência com a falta de vitalidade dele algumas vezes. Ele descobriu as chantagens emocionais e as pressões psicológicas, a sogra entrou em cena, e mais uma vez, a culpa era dela, aquela sem coração.

Não entendia o que fazia de errado. Só queria poder viver sua vida sem frescura ou sentimentalismo fake, sendo sincera, sendo ela mesma, passando longe daquele padrão de mulherzinha. Sem ter que agüentar o marido e a sogra, cuja presença era cada vez mais sufocante, chamando-a de sem coração de hora em hora, comparando com as cunhadas, a prima, a vizinha, sempre a puxando pra baixo.

Um dia, a sogra resolveu aparecer de surpresa (mais uma vez), levando um bolo pro filho, porque a mulher dele não gostava de comer doces o tempo todo porque excesso de açúcar fazia mal, aquela sem coração privando o marido de algo tão simples e fácil de fazer por frescura. Tocou a campainha, quem atendeu foi a empregada, que já estava de saída, avisando que a patroa e o marido tinham brigado demais e a pobrezinha não estava em casa, e foi embora, apressada.

A sogra subiu as escadas até o quarto do casal, que estava com a porta aberta, resmungando em voz alta sobre como homens tão bons não deveriam se casar com mulheres que não sabiam dar valor a um homem decente, e como a outra nora dela era tão mais prestativa e como aquela mulher que fisgou seu caçula parecia não ter coração.

Parou sem reação na frente da porta, vendo o corpo do filho pendurado no teto, o peito aberto e o coração faltando. A perícia mais tarde encontraria dentro do peito um cartão cor de rosa em formato de coração, dentro escrito com caneta prateada “você e seu filho também não têm.” A nora nunca foi encontrada, nem a empregada.

Até hoje a sogra espera, apreensiva, a ex-nora, aquela sem… deixa pra lá.





Ela & Ele na festa da faculdade

11 09 2010

No último semestre da faculdade…

– Tá.
– Tá o quê?
– Tá tudo. Tá frio. Tá fila. Estacionamento tá caro pra caralho.
– Nisso eu concordo.
– Nisso o que? Eu falei três coisas. Quatro, se contar o “tá tudo”.
– Nisso do estacionamento. Vinte reais pra parar o carro num lugar que nem particular é chega a ser quase um roubo. Fila sempre teve, e sempre vai ter, pra qualquer coisa, e frio que que você tá reclamando? Quem tá de saia sou eu.
– Ser homem tinha que ter alguma vantagem, nem que seja no vestuário de festa.
– Você é uma das poucas pessoas no mundo que usa a palavra “vestuário”. E falando nisso, podia ter pego um casaco, né?
– Nem, depois ia ficar carregando. Lá dentro é calor.
– Sim, mas aqui fora é frio e o casaco seria pra mim, dã.
– Devia ter me avisado antes de sair da casa que queria que eu fosse cavalheiro hoje.
– Casa? Aquela república bizarra?
– Não fala assim, dá uma dor no coração saber que no fim do ano eu saio de lá. Olha, a fila andou. Dois passos. Grande avanço.
– Dor no coração é enfarte. E a fila tá andando agora, pára de reclamar. Putz, que friiiioooooo!
– Por que você pode reclamar e eu não posso?
– Porque eu sou mulher. É cláusula do contrato meu direito de reclamar mais que você.
– Eu não lembro de ter cláusula nisso naquilo que a gente assinou.
– Não é “aquilo”, é nosso Contrato de Boa Convivência no Relacionamento. E tá lá, te mostro amanhã. Aí, pronto, entramos, praticamente a última festa de faculdade na graduação. Que triste.
– AHN?
– O QUÊ?
– NÃO ESCUTEI!
– PRATICAMENTE ÚLTIMA FESTA DA FACULDADE!
– Mas tem outras ainda, não é fim de semestre.
– Por isso o praticamente.
– Vai andando na minha frente, você abre caminho melhor que eu.
– EU? O homem é você!
– Sim, mas a porção violenta do relacionamento é incubência sua. Ninguém mandou ter a mão pesada, a mira boa e um cotovelo pontudo. É cláusula do CBCR.
– Se eu arrumar confusão, não reclame.
– Pra onde a gente tá indo?
-AHN?
– PRA ONDE A GENTE TÁ INDO?
– Pra pista de dança.
– VOCÊ NÃO AVISOU QUE EU TERIA QUE IR PRO MEIO DO INFERNO! Disse que a gente podia ficar no cantinho!
– Escuta, tá mais do qu na hora de se livrar dessa frescura sua. Pronto, ó, um lugar até meio decente e na pista, viu?, ninguém vai morrer fora esse FILHO DA PUTA que tá me empurrando!
– Amor, quem cotovelou ele foi você, ele só perdeu o equilíbrio e quase caiu.
– Dane-se.
– QUEM?
– DANE-SE!
– Puta merda, olha a música…
– ONDE?
– ONDE O QUE?
– Nada, esquece. PORRA, FURARAM MEU RIM AGORA!
– Não exagera, seu fresco.
– Se eu sou fresco, exagerar é esperado. Onde tem banheiro aqui mesmo?
– Ali, ó. Naquela fila nojenta.
– Esquece, vou falar com o segurança pra ver se rola ir mijar no mato. Já volto. Não sai daqui, pelo amor de Deus. Se eu te perder aqui…
– Não vai me perder, amor…
– … vou embora, te largo aqui e você se vira com o taxi. Já volto.

trinta minutos depois…

– VOCÊ SAIU DO LUGAR!
– OI?
– VINTE MINUTOS PRA TE ACHAR NESSA BIROSCA! Pelo menos tá do lado do bar. É open bar, né? A cerveja é decente?
– Não, mas desde quando a gente toma cerveja decente em festa de faculdade pública?
– Por que você saiu do lugar?
– Encontrei com o Ricardo, ele perdeu o namorado, a gente foi procurar.
– Nem sabia que o Ricardo namorava. E acharam?
– Não.
– Por que não?
– Porque o Ricardo não namora!
– E por que diabos vocês foram procurar o namorado imaginário dele?
– Porque ele bebeu demais e esqueceu que é solteiro.
– E cadê ele?
– Sumiu.
– Sumiu por que?
– Porque lembrou que é solteiro.
– Pressinto visitas ao HC amanhã, olha a Bárbara ali meio caída. Aquilo é a saia dela???
– Não, é uma blusa comprida mesmo.
– E cadê a saia dela???
– Eu que sei? E PÁRA DE OLHAR!
– TÁ, PAREI, dá pra gente ir pra outro canto? Aqui o empurra-empurra tá pior que na pista.
– Porque já deu aquela hora da festa em que todo mundo prefere beber a lembrar que tem prova amanhã.
– Eu não tenho prova amanhã. Nem aula eu tenho.
– Eu tenho. Às oito da manhã. Quer dizer, eu tinha.
– Como assim?
– Tá vendo aquele senhor ali no ambulatório? É o professor da prova de amanhã.
– TEU PROFESSOR TÁ BÊBADO NA FESTA?
– Calma, nem professor direito ele é, é do mestrado, tá dando aula por falta de professor. Pelo estado dele, nem rola a prova amanhã, então tá beleza. Vou fazer xixi, não sai daqui.

intermináveis minutos depois…

– Vamos embora.
– PORRA, QUE SUSTO!
– Que bonitinho, você não saiu mesmo do lugar.
– Claro que não. Me separei da manada, tive que defender meu território sozinho. Aliás, meu rim pediu pra avisar que te odeia.
– QUEM ME ODEIA?
– MEU RIM!
– QUE QUE TEM SEU RIM?
– FOI COTOVELADO ATÉ A FALÊNCIA!
– AHN?
– Nada, a gente pode ir embora? São quatro da manhã já. Por favor? Pelo amor de Deus? Antes que comece o putz, começou a parte do sertanejo, escuta, eu vou embora, você se vira!
– Calma, a gente vai embora, pronto, vem. Eu abro caminho.
– Graças. Dorme lá na república comigo. Você tira esse sapato apertado, tomamos um banho e desmaiamos na cama pra amanhã encontrar o Ricardo caído na calçada e quarenta ligações da Bárbara chorando, enquanto você perde a prova que seu professor-que-não-é-professor vai dar independente da festa. E o melhor, lá não tem filas. Que aglomerado é esse?
– A fila pra ir embora. Depois tem a do estacionamento.
– Toda vez que a gente vai pra uma festa, eu relembro todos os motivos pelos quais sempre prometo que nunca mais vou em uma.
– E toda vez que olha pra mim, relembra todos os motivos pelos quais sempre quebra essa promessa.
– Odeio você.
– Odeia nada. Vai casar comigo.
– Vou nada.
– Vai sim.
– Não vou.
– Vai sim.





Seu Semestre

4 09 2010

Todo mundo tinha dó dele. Meio calado, de meia idade, do tipo que anda meio curvado, com as mãos meio enfiadas no bolso do casaco, meio sem levantar o olhar da calçada, o chapéu panamá meio tapando o rosto, meio… meio. “Metade” parecia ser bem o que definia a vida dele. Morava sozinho numa casa enorme de esquina e não chegava exatamente a ser popular entre os vizinhos, mas já tinha virado uma figura clássica naquela vizinhança. Era o Seu Semestre. A questão é que ele era, antes de tudo, um romântico. A senhora que morava a duas casas à esquerda costumava dizer que ele era o último cavalheiro do país. Sempre tirava o chapéu ao cumprimentar alguma das vizinhas, jamais negava um bom-dia aos conhecidos e um “por favor” e “muito obrigado” aos desconhecidos. Ajudava a carregar sacolas pesadas, fazia questão de que as senhoras e as crianças andassem do lado de dentro da calçada. Abria e segurava portas. Extremamente polido. Mas seus relacionamentos nunca duravam mais de seis meses.

Não que fosse um namorador; era homem de uma mulher só. Seu jeito assim, meio tímido e educado, compensava a aparência não tão atraente quanto era quando tinha lá seus vinte e poucos anos – aliás, os anos não pareciam ter sido muito bons com ele. Mas mesmo assim, às vezes ele aparecia com uma moça, às vezes mais nova, às vezes mais velha, mas todas sempre muito distintas. E aparecia feliz, e a partir daí, a ampulheta se virava e em seis meses, tire ou dê alguns dias, voltava à aparência tristonha de sempre. Quando lhe perguntavam o que havia acontecido, suspirava resignado e respondia: “Não era o que eu pensava… achei melhor terminar com ela.” e saía andando, assim, meio. O casal mais antigo de lá, que morava na rua de trás, dizia que as coisas eram assim já tinha bons anos: ele aparecia feliz com uma moça, e seis meses depois… nada. Daí o apelido de Seu Semestre. Ele sabia, mas não se importava. Quando ouvia a alcunha, apenas sorria, sem graça. Todos tinham dó do Seu Semestre, tão polido, e nunca encontrava a moça certa e acabava com tudo. Um dia, Seu Semestre teve um enfarte e morreu. Só teve tempo de ligar pra ambulância, que não chegou a tempo. A vizinhança ficou desconsolada, pobre Seu Semestre, passou a vida procurando sua metade e morreu sozinho, coitado.

Ninguém entendeu nada quando, umas noites depois, vários carros de polícia chegaram em frente à casa vazia do Seu Semestre, junto com um carro preto estranho e vários materiais de construção, invadiram a casa e começaram a destruir tudo, piso, paredes, nem sótão, nem porão escaparam. Entenderam menos ainda quando sacos pretos começaram a sair de dentro da casa nas mãos da polícia, até que um deles sem querer saiu meio aberto, revelando lá dentro o corpo sem vida da última moça que Seu Semestre dispensou antes de morrer. No piso, dentro das paredes, em algumas caixas e nos armários, praticamente em todos os cantos da casa encontraram pedaços de corpos diferentes, de todas as moças que Seu Semestre já havia namorado desde que se mudou para aquela rua, anos atrás. Ninguém sabia o porquê daquilo, o que acontecia que em seis meses ele simplesmente se desiludia com elas e as escondia pela casa, aos tantinhos.

Mas agora, pelo menos, todo mundo entendia o que ele queria dizer quando sorria tristonho e dizia que tinha terminado com elas.