45 linhas

5 05 2011

Eu gosto de digitar no word com fonte Calibri tamanho 12. Isso contabiliza cerca de 45 linhas por página, com espaçamento normal, sem deixar espaço entre os parágrafos. Não gosto de escrever textos grandes (não nasci com o dom da prolixidade positiva), então considero 45 linhas nessa fonte e nesse tamanho mais do que aceitáveis. O problema é fazer as 45 linhas aparecerem. A idéia já aparece pronta na cabeça, inteirinha. Tem começo (do nada, que é como eu gosto de começar as coisas), meio (chega a algum lugar) e fim (aceitável pro momento). Dá pra visualizar os diálogos, se tiver algum. Imaginar a(s) cena(s). Fica lindo na minha cabeça.

Mas nenhuma linha sai. Não é bloqueio criativo, porque pelo menos 40% do trabalho já foi feito. Revisado. E mesmo assim, já tem umas três semanas que fico remoendo o que pensei. Três semanas do mesmo ritual. Sentar na frente do computador. Abrir o word. Nada. Fuçar o last.fm. Voltar pro word. Digitar alguma coisa (por alguma coisa, leia-se duas ou três linhas). Visitar sites de fofocas. Outros blogs. Word. Nada. Estorvar alguém no MSN. Word. Nada. Eu olho pro word. Ele olha pra mim. E nada.

Um lindo e absoluto N.A.D.A., isso sem considerar os momentos de ficar olhando pra tela em branco, parada, pensando por que diabos ninguém inventou ainda alguma coisa que tire as coisas da minha mente e passe automaticamente pro computador. Algo assim ajudaria muita gente. Escritores. Jornalistas. Gente escrevendo a tese do mestrado. Incontáveis pessoas seriam beneficiadas por algo assim. Rins seriam vendidos no mercado negro (ou no livre) pra pagar uma maquininha que fizesse brotar palavras. E nisso já foi quase uma hora, até que me conformo que nada vai sair, fecho o word e vou fazer qualquer outra coisa.

Não era pra ser tão difícil assim. Se tudo já está pensado, esquematizado, qual a dificuldade em só digitar? Escrever a mão não ajuda. Já tentei, e o máximo que consegui foi ficar frustrada porque não consigo desenhar bolinhas perfeitamente redondas ou porque as linhas das minhas espirais não ficam paralelas. Já tenho uma séria tendência a desistir de coisas. É só ver quando foi a última atualização aqui. Expert em começar – terminar já não é meu departamento. Também já tentei não usar o word, mas a culpa não é dele. Dos meus dedos, talvez, que com a mesma insistência com que voam pra letra U quando não quero, se recusam a funcionar. É frustrante. Se pelo menos a idéia não existisse, vá lá, teria uma desculpa. Mas ela tá aí! E quanto mais enrolo, mais a idéia não parece mais tão boa assim. Talvez o começo seja tão do nada, que não faz sentido. O meio não mostra qual o rumo que a coisa deveria ter tomado. O final ficou tonto. Os diálogos são blé. Daí pra engavetar tudo é um passo. Comportamento típico de quem desiste fácil. Ou de quem procrastina muito. Procrastinadores me entenderão.

Eu sei que Libba Bray me entende, como li agora há pouco no blog dela.

“If this part of the writing process were an iPod track list it would look like this:
Track #1: I Suck
Track #2: I’m Not Smart Enough to Write This Book
Track #3 No, This Is Different
Track #4: Maybe I Could Become a Firefighter/Gravedigger/Finger Puppeteer
Track #5: I Suck, Parts IV-VIII
Track #6: Why Can’t I Write Like (Fill in Blank)?
Track #7: This Doesn’t Happen To (Fill in Blank)
Track #8: Will You Help Me Fake My Death/It’s the Only Way/My Life in a Storage Unit Medley
Track #9: I Suck (Extended Dance Remix)
Track #10: What Was I Thinking?
Track #11: This Is Hopeless! (DJ Flail ‘N’ Whine Mix)
Track #12: So Overwhelmed I’m Underwater
Bonus Track: Also, I Hate My Hair”

Eu sei, eu não sou a Libba Bray. Se fosse, saberia como misturar alguém morrendo por causa da doença da vaca louca, uma anja punk e um anão de um jeito que fizesse sentido. Lá em cima escrevi “cerca de 45 linhas”, e o word quer corrigir a frase pra “cerca de 50”. Não consigo escrever nem 45, que dirá 50. O processo fica parecido com arrancar um band-aid. Ou parir um filho. Talvez eu devesse reservar um dia de folga só pra isso, mas usar um dia inteiro pra escrever um texto de uma página parece atingir um grau de loser que nem eu sei se deveria testar se existe. Mas agora, pelo menos, eu sei que até a Libba Bray tem sua track list de “bad writing day”. E eu sei que 45 linhas vão continuar sendo difíceis e dolorosas, mas eu não fico sozinha nessa. Tenho a Libba. E os procrastinadores. E os mestrandos. Viva nós.

 

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Mortinhas I: correndo com tesouras

24 12 2010

Adorava trabalhos artesanais, principalmente os que a escola mandava fazer em casa. O problema é que a menina era praticamente a hiperatividade encarnada, e muito mal educada. Sua especialidade era fazer projetos até que bons, uando comparados aos outros dos alunos da mesma faixa etária, mas largava tudo espalhado pela casa. A mãe ficava louca, mas não adiantava: a filha de doze anos mandava mais que a própria mãe, que o máximo que conseguia era impor castigos que eram burlados em menos de quinze minutos e esquecidos depois de meia-hora. Cartolinas, pedaços de papel, até mesmo bolotas de argila na parede: a menina deixava a casa num estado de destruição que, mais dia, menos dia, a mãe acabaria caindo ou num riso histérico ou nmum choro compulsivo.

Dessa vez era um boneco, e a menina cismou que faria um de pano, como a Emília, do Sítio do Pica-pau Amarelo. A mãe queria que a garota ficasse quieta num canto, mas a menina insistia em correr pela casa, pegando os materiais aos poucos. “Não corre com tesoura na mão, filha!”, a mãe insistia, e “Tsc.”, ignorava a menina. A mãe simplesmente se jogou no sofá, exasperada, e entregou a Deus.

Deus tem um senso de humor muito bizarro. De tantas preces que aquela mãe já havia feito, das mais comuns às mais inusitadas, foi atender justo aquela. Não deu nem meia hora. Enquanto a menina corria na frente do sofá, tropeçou numa tira de tecido que ela própria havia cortado e largado lá, e caiu. De cara na tesoura. A primeira reação da mãe foi um grito de horror e o desespero. Dez minutos depois, foi atrás dos produtos de limpeza, pra dar um jeito naquilo. Pelo menos agora a filha sabia a razão de não poder correr com tesouras.

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Feliz Natal e





Ela, Ele e o tédio de domingo.

27 10 2010

– Incrível.
– Incrível o que?
– Como não tem nada decente na tv de domingo à noite.
– Nem que tivesse, você não deixa no mesmo canal mais de cinco segundos.
– Deixaria se tivesse algo decente passando.
– Deixa no Fantástico mesmo.
– Tá.
– Cerveja?
– Oi?
– Quer uma cerveja?
– Quero.
– Aproveita que você pode. Pensar que só tomo uma de novo daqui sete meses dá uma angústia.
– Quando você parir, a gente combina uma noite com a Luisa, a Bárbara e o Ricardo, só pra todo mundo ficar bêbado. Voltamos de táxi.
– Combinado. Já volto.
– Tá.
– Aqui a cerveja.
– Brigado.
– De nada.
– …
– …
– …
– O que tá passando?
– No fantástico? Algo sobre as pessoas mais velhas do mundo. Ou mais novas, não sei mais a diferença.
– Nem uma coisa, nem outra, é sobre botox, olha.
– Por isso que eu não sei mais a diferença.
– …
– …
– …
– Odeio.
– O que?
– Domingo.
– Ah.
– Marcou a consulta no obstetra?
– Marquei. Ele disse pra você ir junto. Consegui um horário que não cai na sua aula.
– Falando em aula, amanhã entrego a correção da prova e dou o discurso do bimestre.
– Por que?
– Pelos absurdos que fizeram. Teve gente dividindo por zero em conta que nem zero tinha.
– Chuck Norris divide por zero.
– Não dou aula pro Chuck Norris. Você vai no dia das profissões?
– Vou, o escritório me dispensou. Gostei do vestido dela.
– Já a camisa do cara é horrível. Como ele chama mesmo?
– Zeca Camargo.
– Discípulo do Faustão, aposto.
– E quando ele morrer?
– O Zeca Camargo?
– O Faustão. O que vai ficar no lugar? Domingão de quem?
– Eu acho que é o Luciano Huck.
– Domingão do Caldeirão?
– Domingão do Lucianão? Nem rola.
– Vão ter que mudar de nome.
– Não deve ser o Huck, senão teriam que mudar o sábado também, desestrutura toda a programação.
– Será que se eu ligar, me informam a marca do sapato?
– Acho que sim, deve ter um sac, ou algo do tipo.
– …
– …
– Ai.
– O que foi?
– Uma pontada.
– Onde?
– Aqui. Isso. Ai.
– Na consulta a gente vê. Quer ir dormir mais cedo?
– Não, bota um dvd aí. Monk.
– Ricardo pegou emprestado, lembra?
– Qual temporada?
– A melhor.
– Merda. Tem alguma outra coisa pra ver?
– Não, tem que ser o Fantástico mesmo.
– Fantástico é bem emblemático de domingo, né? Chega a dar aquela depressão ouvir a música.
– Pelo menos mudou a abertura. Aquelas mulheres tortas me davam aflição.
– Por que dá dando interferência?
– Ih, vai acabar a
– ACABOU A FORÇA!





Telefonema

24 10 2010

– Alô? Alô? SOU EU, PAI! Como, quem? Quem mais diria “pai”? O barulho? A festa, ué. Como, qual festa? A que você me levou. A QUE VOCÊ ME LEVOU! É que tem que falar gritando! Eu ia ligar de um canto, mas vomitaram lá e tive que ir pra pista mesmo! Oi? Não, vomitaram porque comeram demais! COMERAM DEMAIS! Enfim, você disse pra te ligar meia-noite, taí, meia-noite, tô ligando, tô viva, tá tudo bem. Tô sóbria, pai. Sim. Sim. Juro. O vômito não era de nenhum conhecido. Oi? Não, pai, não tem só desconhecido na festa, encontrei o pessoal aqui. Você sabe quem, pai, é aquela geral que vive em casa. Não, aquele que derruba o vaso da mãe não veio, o pai não deixou. Oi? PAI, NÃO É PRA VIR ME BUSCAR! Eu disse que voltava com a Carol, que ia dormir na casa dela! É, a mãe da Carol que vem buscar. Não, não é a irmã barbeira dela. Sim. Sim. Juro. NÃO, PAI, NÃO PRECISA LIGAR NA CAROL PRA CONFIRMAR! Não sei quem gritou aqui do lado. O pessoal tá no outro lado da pista. Ahan. Ahan. Ahan. Não, eu disse que não ia beber, eu jurei, lembra? Não, não tô mentindo. PAI, CHEGA, NÉ? Já deu, já tô passando vergonha aqui. Não faz drama. Ahan. Sim, pai, eu te amo, posso desligar agora? Não, não tenho vergonha de você, só quero voltar a dançar, PAI, EU DISSE QUE JÁ TÁ TUDO COMBINADO! A gente vai voltar cedo! Às 3. Não, não dá pra voltar antes. 3 horas nem é tanto assim. EU SEI MINHA IDADE, NÃO PRECISA FICAR REPETINDO. Ok. Ok. Tá. NÃO, PAI, escuta, bota a mãe no telefone. Não tô te desprezando, só bota a mãe no telefone. BOTA A MÃE NO TELEF alô, mãe? Ó, tá tudo bem, ainda volto com a irmã da Carol às 5, mas tá tudo bem, tá? Bebi uma latinha só, não passo disso. Ahan. Ahan. A Carol vomitou, mas tá bem, a irmã tá cuidando dela. Eu sei, mãe. Pode deixar. Qualquer coisa a gente volta de taxi. Ok. E ó, não conta pro pai. Você sabe que ele é paranóico à toa.

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Só pra Prih poder ler ésse-dois




Acontece.

21 10 2010

O casamento tinha chegado a tal ponto que os dois se encontravam apenas sem querer, andando pela casa. Casaram cheios de amor e promessas, mas a passagem dos anos, o aluguel, as cobranças, o tempo, nada disso lhes foi benéfico. Não tinham filhos, já que foram adiando até terem uma condição financeira melhor, e adiando, e adiando, e agora, os dois com quarenta e poucos, já nem consideravam mais a opção. Moravam sozinhos, num apartamento pequeno. Não se odiavam, não era esse o problema. Apenas… não sentiam mais nada um pelo outro. Estavam juntos por estarem juntos, acomodados com aquela rotina de mais de vinte anos de casados. Aquilo era algo conhecido, monótono, mas seguro. Os dois chegaram a considerar o divórcio uma ou duas vezes, mas a separação significava se mexer, fazer alguma coisa, encarar o desconhecido. Naquela idade, naquela situação, nenhum dos dois se achava preparado para aquilo. E deixavam a idéia pra lá. Movimento era vida, conformidade era morte, e os dois estavam mortos há muito tempo.

Ela foi à feira naquele dia cedo, enquanto o marido ficou em casa, vendo o jornal matinal. Enquanto escolhia o peixe pro almoço, ia lembrando do começo do casamento. Eram tão felizes, tão cheios de vida e de planos, em que momento aquilo tudo desandou? Eram dois desconhecidos agora. Sexo era algo com dia e hora marcada pra acontecer, e muito mais de quarenta minutos, ele se cansava e ela, ai que nojo, começava a suar. Eram incansáveis antes. Quando foi que a vida estacionou daquele jeito? Escolhendo os temperos e verduras, pensou na coisa dos filhos. Sempre quiseram um casal. Uma família grande. Ele era um homem de grandes ambições, ela queria tanto progredir na carreira, quando foi que resolveram deixar tudo pra lá? Era isso o que mais faziam: adiar as coisas. Sempre parados, no mesmo lugar. O relacionamento deles funcionava em aparelho respiratório já, e nenhum deles tinha a coragem de puxar o plugue. Teve que segurar o choro enquanto terminava as compras e voltava com as sacolas, caminhando pra casa.

Respirou fundo. Não era isso o que tinha planejado pra sua vida. Não podia continuar naquela situação pra sempre. Mas realmente não queria divórcio. Ser separada nunca esteve em seus sonhos. Nada de puxar o plugue. E se lutasse pelo casamento? Se pelo menos tentasse? Uma conversa. Pra um primeiro passo, uma conversa estava de bom tamanho. Nem precisavam decidir nada sobre nada, apenas conversar, enquanto ela preparava o almoço. Quanto tempo fazia desde a última conversa decente entre eles? Sobre o que falariam? Um filme. Ela veria o que estava passando no jornal, e diria que os dois poderiam ir ao cinema. Fazia tempo desde que foram ao cinema pela última vez, Coisa de anos já. Ele estranharia, e ela diria que seria apenas uma boa maneira de passar pelo menos um dia fora de casa. Ele aceitaria, ainda desconfiado. Seria estranho, não estavam acostumados com isso, mas de repente, talvez ele segurasse sua mão no escuro e isso indicaria que as coisas iam ficar bem. Passos pequenos, era isso o que faria.

Chegando em casa, deixou as compras na mesa da cozinha e foi até a sala, atrás do marido. Encontrou-o enforcado com o cinto, no lustre da sala. Ficou parada, sem reação, olhando, por alguns minutos. Saindo do estado de surpresa, pegou o telefone e começou a discar o número da ambulância e, depois, da polícia, suspirando resignada.

Pelo menos o marido tinha feito alguma coisa diferente, hoje.

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Tema sugerido pelo Nando, do Prolixidade&Verborragia




OP, OI

17 10 2010

“Ócio improdutivo”. Piada interna, ou termo já mundialmente disseminado. Por mundialmente, entende-se a querida panela que carrego comigo há o quê?, uns… 5 anos? Por aí, não sei fazer contas. Num resumo bem simplificado, porque até hoje não aprendi a enrolar, “ócio PRODUTIVO” é pegar aquele tempinho que te sobra e fazer alguma coisa útil com ele. Improdutivo seria pegar esse tempinho que te sobra, olhar pra ele e pensar “mais tarde eu resolvo”. Ócio improdutivo, então, é basicamente fazer porra nenhuma. É? Primeiro, teríamos que delimitar exatamente o que é o ócio produtivo, porque todo historiador que se preza TEM que enfiar tudo dentro de algum contexto, nem que seja um inventado a exatamente 23:39 da noite.

Pelo dicionário, produtivo significa “que produz; fértil; rendoso”. Valeu, dicionário, esclareceu muita coisa. Produzir é procriar (mais pra frente analisamos esse), dar origem a, e paramos por aqui porque todos os outros querem dizer a mesma coisa. Pegamos esse “dar origem a”. Ócio produtivo, que chamaremos de OP, é usar seu tempo de sobra, TS, pra produzir alguma coisa. Ok, OP + TS = alguma coisa. Alguma coisa, o que? Alguma coisa útil. Útil é aquilo que pode ter algum uso ou serventia, proveitoso, vantajoso. Estabelecemos, então, que o OP é aquele estado em que você pega seu TS e faz com ele alguma coisa que sirva pra alguma coisa. É aí que entra o problema, porque até agora esse amontoado de frases explicativas, pelo menos pra mim, não são um problema.

O que poderia ser considerado como proveitoso, vantajoso ou tendo serventia? Sendo algo vantajoso pra outra pessoa, trabalhos voluntários poderiam se encaixar na categoria de ócio muito bem produtivo. Legal. Mas e quando seu tempo não é tanto assim, ou não existe a possibilidade de fazer algo nesse sentido? Você ainda tem tempo sobrando. E agora? Saímos do outro e voltamos a nós. Seria, então, algo vantajoso pra você. Outro problema: o que é vantajoso pra mim, não é necessariamente vantajoso pra você. Passar uma tarde cuidando do jardim pode ser perda de tempo pra você. Passar uma noite de sábado escrevendo um texto pode ser perda de tempo pra alguém que gosta muito de sair aos finais de semana.

Resumindo: o meu OP é o seu OI (ócio improdutivo). Gastar energia com sexo, por exemplo, resgatando o sentido de “procriar”, dependendo da situação, é OP ou OI? No final das contas, fica tudo dependendo do referencial. Trocar a cor de esmalte a cada três dias, pra mim, é algo produtivo. Traz algum efeito na minha auto-estima, por exemplo. Escrevendo textos pra RPG, é produtivo porque eu gosto de escrever, oras, e cada texto é algo criado com carinho e muitas promessas de nunca mais usar o word porque ele não reconhece meu nome. Pra muita gente, é perda de tempo. Pra mim, um jogo de futebol é perda de tempo. Pro meu avô, meus remédios é que são.

“Mas Mareska, qual exatamente o objetivo desse texto?”. Simples: mandar quem reclama do que eu faço tomar no cu. Mande você também. Se seu tempo ser classificado como OP ou OI depende do referencial, então estamos todos livres pra rejeitar o referencial alheio. Se você acha o que eu faço perda de tempo, eu não acho, e chegamos num impasse em que nenhum dos lados vai ceder; melhor deixar pra lá e sair pra comer, ou beber, depende da pessoa. E deixem meu OP e OI em paz, que quem decide sou eu; palpites não são bem vindos a não ser que eu os peça. Entendo seus argumentos, mas não assimilo, malzaê. Levanto, então, com orgulho a bandeira do meu OI, e você vá ser feliz com seu OP em algum canto longe.

E você, por onde anda seu OI?





Ela, Ele e os esmaltes vs Lakers

9 10 2010

– Santo Cristo…
– O que?
– Quanta cor.
– São esmaltes.
– Quanta coisa.
– São os materiais pra fazer as unhas.
– Quanta frescura.
– Não é frescura. Senta aí.
– Que que é esse troço no seu pé?
– É pra separar os dedos. Pra um não estragar o esmalte do outro.
– A não ser que você seja um sapo ou um pato, seus dedos já são separados.
– Shiu.
– AH, É POR ISSO QUE NUNCA TEM ALGODÃO NO BANHEIRO!
– Você quer que eu passe o removedor onde?
– Sei lá… um pano?
– Não, tem que ser algodão.
– Achei que fazer as unhas era só passar o esmalte.
– Não. Tem que deixar na água quente com o creme, empurrar a cutícula, tirar o excesso, hidratar, passar a base, esperar, passar o esmalte, esperar, passar a segunda camada, esperar, aí hidratar de novo. Pé é a mesma coisa.
– Você não tira TODA a cutícula, né? Porque faz mal.
– Não, pode deixar, só o excesso.
– Dá nervoso te ver com esse alicate no pé. Parece O Albergue. Logo tem ponta de dedo seu voando por aí.
– Você podia fazer as unhas. As suas são horríveis.
– OW! Minhas unhas são limpinhas!
– São, mas são horríveis.
– Eu não vou fazer as unhas. Homem não faz as unhas.
– Aposto que suas unhas ficariam mais limpas se você deixasse eu fazer.
– Você com um alicate nas minhas unhas? Só morto.
– Você confia em mim pra ser a mãe dos seus filhos, mas não pra fazer suas unhas?
– Não tem motivo pra fazer minhas unhas. Não é como se eu fosse pintar de alguma cor.
– Se fosse?
– Ahn?
– Se fosse. Se homem pintasse as unhas, que cor você pintaria as suas?
– Quais as opções?
– Olha aí.
– Deixa ver… por que tem três vermelhos iguais?
– Não são iguais.
– Lógico que são. Os três naquele tom biscatão.
– Não é biscatão, é vermelho aberto. E tem diferença. Esse puxa pro laranja, esse pro cereja, esse tem reflexos dourados.
– ONDE ISSO?
– Olha bem. Olha direito. Isso. Olha de perto.
– Nossa, e não é que de perto… continuam os três iguais.
– Você que é daltônico.
– Você que é louca em ver diferença entre, sei lá, esmaltes pretos.
– Lógico que tem diferença! Cada tom de preto tem um detalhe!
– TOM DE PRETO? Na minha época, preto era preto.
– E os dinossauros mal sabiam seu futuro cruel, tá, eu sei.
– Na verdade, o seu humano nunca encontrou um dinossauro ao vivo.
– Mas você vai ter os chifres de um triceratops se continuar a encher. Vem cá. Vou fazer suas unhas.
– Vai não.
– Eu tô com desejo de fazer suas unhas. O bebê tá até mexendo.
– Você tem 2 meses de gravidez, se tem algo mexendo aí, são gases ou um alien.
– Chamou nosso filho de peido?
– Ou filha. E sai daqui com esse alicate.
– Quer que a criança nasça com cara de nutribase?
– Se eu deixar, você… deixa ver… abre mão do Discovery Home&Health essa quarta. Tem jogo no Sportv.
– Mas você também gosta do Tim Gunn!
– Gosto mais dos Lakers.
– Tá, fechado. Dá a mão. Não olha feio. Pronto, coloca os dedos no potinho com água quente.
– Quanto tempo isso?
– Uns minutinhos.
– OW, VOLTA NO FILME!
– Tá, tá, pronto. Duro de Matar perdeu a graça faz tempo, sabia?
– Bruce Willis é Deus, blasfema não.
– Pronto, pode tirar. Dá a mão.
– Que troço é esse?
– Pra empurrar a cutícula.
– Vai doer?
– Não. Aí, viu? Não dói.
– Não é confortável também.
– Mas não dói. Pronto.
– TIRA ESSE ALICATE DAÍ.
– Devolve a mão, faz favor?
– De jeito nenhum.
– Só vou tirar o que ficou pra cima. Vou com calma, anda. Pensa nos Lakers.
– Lakers… Lakers… Lakers… CUIDADO COM ESSE TRECO…é bom que eles ganhem o jogo, senão vou ficar puto… VAI DOER… não doeu… falta muito?
– Calma.
– Fácil você falar.
– Já passei por isso e meus dedos ainda estão aqui. Pronto, viu? Nenhum bife arrancado.
– Bife da unha eu sei o que é. Não é legal.
– Pois é. Agora, polir.
– Oi?
– Polir as unhas. Rapidinho. Dá aqui. Pronto. Aí, dá uma olhada nelas agora.
– PORRA, não é que ficaram mais limpas.
– Viu? Falei. Se você fizer isso umas 2 vezes por mês, já tá bom.
– Não exagera. Isso é pelos Lakers e que que você tá pegando esse esmalte com cor de absinto?
– É base de fortalecimento.
– Eu não vou passar esmalte.
– Não é esmalte, é base só. Mal fica brilho, relaxa.
– Eu NÃO vou passar esmalte.
– Se não completar o ritual, nada de Lakers.
– Mas você fez minhas unhas! Ó! Feitinhas!
– Sem base, sem Lakers.
– Tá… tó… sacanagem.
– PRONTO! Olha como ficaram.
– Elas brilham.
– Limpinhas.
– E brilhantes.
– Shut up. Foi pelos Lakers. Tó, deixo até você ficar com o controle remoto hoje, de brinde.
– Deixa ver pra confirmar o jogo… MERDA!
– O que?
– OS LAKERS NÃO JOGAM NA QUARTA!