Ela, Ele & o quadro

4 08 2010

– E agora?
– Não… ainda parece torto.
– Espera… deixa eu pendurar pra ver. Torto onde? Tá retinho. Alinhado com a mesinha, olha bem.
– Tá alinhado com a mesinha, mas não sei… não parece centralizado. Tira lá e segura de novo.
– Olha o tamanho desse quadro. Olha o peso desse quadro. Tem pelo menos meia hora que eu tô segurando esse quadro sem parar. Jura por Deus que tenho que pegar o quadro de novo?
– Para de falar “quadro” e vai lá. É rapidinho, só quero deixar tudo certinho pra dormir em paz.
– Tá, tá, tá… deixa eu tirar isso daqui… pronto, puta troço pesado… e agora?
– Levanta um tiquinho.
– Um tiquinho quanto?
– Um tiquinho, ué.
– O meu tiquinho não é igual ao seu. Tiquinho não serve como medida.
– Lógico que serve. Um tiquinho, um tantinho, um punhado.
– Seu punhado de sal é um dedinho, o meu é encher a mão. Não serve de referência.
– Então comparar meu punhado de sal como um dedinho também não é. Qual dedo, e dedo de quem, sem contar que é o dedo inteiro ou só a ponta? Tá, entendi seu ponto de vista. Levanta… uns quatro dedos… seus dedos, não meus. Deitados, sabe?
– Sei, tá, essa é uma medida que eu posso usar. Pronto. Tá bom, né? Posso pendurar?
– Não, ainda não… volta pra altura de antes. Não ficou bom assim.
– Tá… e?
– Ai, não sei… alguma coisa não tá colaborando… ainda parece fora do lugar.
– A gente podia desistir e jogar o quadro pela janela, que tal? É feio mesmo.
– Não é feio. É Op Art.
– É feio e dá dor de cabeça. E é pesado, posso pendurar?
– Espera. Acho que já sei. São esses vasos nas laterais da mesa. São eles que impedem o quadro de ficar centralizado! Empurra um pouco o vaso da direita.
– Tá brincando, né? Eu tô aqui, arrebentado meus braços pra segurar esse quadro e você quer que, além disso, eu arrume o vaso? Por que você não empurra?
– Eu tenho que ficar aqui de olho pra ver se fica tudo certo.
– Ok, beleza, com qual das minhas três mãos você quer que eu empurre o vaso?
– Ih, que mau humor… faz assim, pendura o quadro, a gente alinha os vasos, aí arruma o quadro.
– Eu devia ter casado com alguém sem TOC.
– E eu devia ter casado sóbria. Anda, só o da direita… isso… NÃO, empurrou demais… espera… tó, mede com a régua. Não fica bufando, é falta de educação. Aí, pega a medida da esquerda e bota no da direita… pronto, de volta ao quadro.
– É a última vez que eu faço isso. Se me pedir pra arrumar outra vez, peço o divórcio. E te deixo o apartamento, que pelo menos assim não preciso pendurar nada em lugar nenhum.
– É a última, juro… só precisa um pouco pra esquerda…
– Um pouco quanto?
– Um tiquinho… meu tiquinho, não o seu. Não suspira, a frustrada com a situação sou eu.
– É, ahan. Pronto. Pendurei. Chega.
– Vem ver como ficou.
– É… parece tudo alinhado… como antes. Agora a gente pode sair pra jantar?
– Pode… amor, só uma coisinha…
– O que?
– Acho que não gostei do quadro.

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4 responses

5 08 2010
freds

Juro que morri lendo aahueaheaueheuheuaehaueheuaehaueheu
amei de verdade, Mahh <3

5 08 2010
bellz

MAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHH, ADOREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEI /PALMA
cara, muito bom, sério, super me diverti.
até favoritei HAEUAEHUEAHUAEHUAEHUEA
:*

6 08 2010
cahnazatto

genial.

7 08 2010
Naty

MAHHHHH!! *___*
Adorei, ri demais lendo, sério! Muito bom, guria! o/

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